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Depressão precisa ser tratada com informação e acolhimento em Rondônia

Rede pública de saúde ainda não dispõe de estrutura para atender demanda crescente dos casos no Estado

Depressão precisa ser tratada com informação e acolhimento em Rondônia - saude - jaqueline cassol

Embora sejam considerados males “invisíveis”, os casos de depressão e outros sintomas psicológicos são cada vez mais comuns e incapacitam, todos os anos, milhões de brasileiros. Já considerada o mal deste século, a depressão atinge todas as faixas etárias e camadas socioeconômicas dentro do Estado de Rondônia.

O perfil da pessoa com depressão

E ela não tem face definida: debilita e por vezes leva ao suicídio jovens com toda a vida pela frente, líderes religiosos, estudantes, idosos, trabalhadores que são expostos a estresse diário, pais que perdem o emprego. “Eu procurei ajuda apenas quando os sintomas físicos se tornaram impossíveis de suportar, e precisei tomar medicação durante mais de seis meses para estabilizar. Meu cérebro entrou em curto, não aprendia mais nada e não conseguia mais pensar de maneira coerente”, relembra a estudante S.S, de 30 anos.

“O problema é que, mesmo as famílias e amigos mais bem-intencionados podem ser insensíveis, dizer que basta querer melhorar ou ter mais fé e tudo se resolve. Isso só piora o estado psicológico de quem está deprimido. Procurar ajuda especializada é essencial, mesmo com o estigma que ronda quem procura psicoterapia e toma medicação. Os profissionais especializados em saúde mental são essenciais, mais que os remédios, na melhora”, acrescenta.

Falta estrutura

O despreparo e a falta de informação consistente, livre de preconceitos, ainda são os maiores entraves enfrentados por quem sofre da doença e procura ajuda na rede pública de saúde do Estado. Por se tratarem de sintomas diferentes conforme a gravidade e o paciente, e se tratar de um longo tratamento, a rede pública de saúde ainda não dispõe de estrutura para atender à demanda crescente e acompanhar os casos de pacientes, especialmente os mais graves.

Os centros de atendimento e emergências estão sempre lotados de pessoas que sequer sabem ou se recusam a aceitar que sofrem de depressão. Para lidar com este quadro, será necessário preparar os profissionais da área e prover estrutura para que possam trabalhar. Saúde mental é uma pauta que precisa sempre estar em discussão no poder público, pois representa qualidade de vida e cidadania.

Como o poder público pode atuar

Disposta a levantar a bandeira do combate à depressão no Estado, a advogada Jaqueline Cassol tem ouvido pessoas que convivem com a doença para incluir em seu plano parlamentar ações eficazes para tratar o tema referente à saúde mental das pessoas.

“Vejo a urgência em combater primeiro o tabu instalado no seio da sociedade, onde a grande maioria ignora casos como dessa estudante e só se assusta quando acontece o pior, como, por exemplo, quando leem uma manchete estampando um fato novo de suicídio. Pessoas com sintomas da depressão precisam ser ouvidas e acolhidas pelos familiares e amigos. Essa consciência precisa ser despertada. Além disso, dependem de ajuda profissional para detectar o diagnóstico e fazer acompanhamento adequado”, comentou Jaqueline Cassol.

 

 

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